Um raio
Fulgura
No espaço
Esparso,
De luz;
E trêmulo
E puro
Aviva-se,
Esquiva-se
Rutila,
Seduz!
Vem a aurora,
Pressurosa,
Cor de rosa,
Que se cora
De carmim;
Nos seus raios
As estrelas,
Que eram belas,
Tem desmaios,
Já por fim.
O sol desponta
Lá no horizonte,
Doirando a fonte,
E o prado
e o monte
E o céu
e o mar;
E um manto
belo
De vivas cores
Adorna as flores,
Que entre verdores
Se vê brilhar.
E a chuva
Transparece,
Quando desce
E ainda vê-se
O sol luzir;
Como a virgem,
Que numa hora
Ri-se e cora,
Depois chora
E torna a rir.
Na folha
Luzente
Do orvalho
Penitente
A gota
Retrai:
Vacila,
Palpita;
Mais grossa
Hesita,
E treme
E cai.
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